Missão da medicina e espiritualidade, relação com o outro e solidariedade

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14 de out de 2014 – A Doutora Nise Yamaguchi começa a segunda parte da entrevista falando sobre a ligação entre câncer e hábitos. …  mais gorduras e mais carnes, temos 50% da população mundial em obesidade.
Fonte: Blog Oncovitae

Doutora Nise também conta o que valoriza na relação médico-paciente e qual ela acredita ser a missão da medicina.

….Não é somente o psicólogo que deve se preocupar em cuidar da saúde mental do paciente. O médico tem o conhecimento frio e desumano dos números probabilísticos de cada caso, mas Nise propõe que o profissional olhe cada paciente e acredite que aquele indivíduo específico tem a capacidade de ir além das estatísticas. Assim aquela relação humana pode ser proveitosa. Sabemos que durante o tratamento do câncer a situação psicológica do paciente influencia muito na sua capacidade de luta contra a doença e interfere no tratamento.

Outra ideia a qual ela chama atenção na relação médico-paciente é a coparticipação. Coparticipação, na humanização da medicina, significa a participação do próprio indivíduo na relação dele com o sistema e na relação dele com o médico. É comum, por exemplo, o paciente deixar de tomar os remédios receitados, pois não compreende a importância de tomá-los. O paciente precisa trabalhar em cooperação com o médico para que ele possa render o máximo numa estratégia de tratamento.

Nos blocos 3 e 4 a médica fala sobre fé: Fé está ligada à esperança e a universalidade. A vida é uma graça, um dom divino. É uma chance, uma descoberta. Eu medito, eu presto atenção na natureza, eu agradeço ao universo, eu celebro a vida. Sem essa composição filosófica eu teria dificuldades em entender as necessidades dos meus pacientes. Eu termino o meu dia depois de 20 horas de trabalho mais plena do que comecei, com a percepção de que a gente é parte de um todo, que estamos sendo mantidos por uma rede imanente de qualidades do ser humano, a qualidade de amorosidade é o que me nutre. Temos essa oportunidade de estar trabalhando dentro de um processo, dentro de um movimento, de uma época da humanidade, mas eu não acredito que a vida vá acabar aqui. Para mim a vida é eterna, ela continua. Eu costumo dizer que nós somos pessoas iniciais, em um processo de aprendizado constante, de crescimento, de aperfeiçoamento. A gente se acrescenta.

Entrevista com Dra. Nice Yamaguchi*

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Fonte: Blog 50+ | Foto: Meredith Noll

Dizer que a Dra. Nise Yamaguchi é um ser humano extraordinário significa pouco, se a gente quiser realmente fazer jus a esta Oncologista, de 54 anos, filha de imigrante japonês. Ela dorme de 3 a 5 horas por noite; fala quatro idiomas fluentemente, inclusive o alemão, e se comunica em outros 3, entre eles o japonês. É diretora do Instituto Avanços em Medicina, em São Paulo, membro do Comitê Internacional da Sociedade Americana de Oncologia Clínica e consultora do International Prevention and Research Institute, em Lyon, na França, para citar apenas algumas de suas atividades. É comum encontrá-la à uma da manhã pelos corredores do Hospital Sírio Libanês, visitando seus pacientes. Todos eles amam esta médica inquieta, cientista brilhante, que trata cada um deles “como meus heróis anônimos”. Muitos se referem a ela como “uma luz”, “um anjo vindo do céu”.

Maya Santana – O número de casos de câncer está mesmo aumentando?
– Os casos estão aumentando, mas também estamos vivendo mais. O queacontece é que o câncer é uma doença causada por mutação de células, pela transformação do meio onde a célula está crescendo. O fato de estar havendo um crescimento do número de pacientes tem uma relação com o lado hereditário da pessoa, com o meio ambiente, o estilo de vida. Se ela fuma, bebe, pratica sexo inseguro,tendo mais infecções virais, está sujeita a diversos tipos de câncer relacionados a estes fatores, como câncer de pulmão, de estômago, de esôfago, de pâncreas, de bexiga, de colo de útero. Se ela tem obesidade, é sedentária, fabrica mais fatores semelhantes à insulina, dentre outros, e pode ter mais câncer de mama, de próstata, colon e útero(endométrio). E há ainda a questão do excesso de fertilizantes, adubos e inseticidas usados nos alimentos. Tudo isso está ocasionando uma avalanche de fatores químicos e propiciadores de câncer para o organismo lidar.

MS – O tipo de alimentação da pessoa influencia muito?
R – O excesso de carne vermelha, de hormônios, corantes e conservantes faz com que haja mutações celulares. E os produtos industrializados, principalmente, têm muito destas substâncias. Hoje em dia, a maioria das frutas, legumes e saladas também contêm uma quantidade muito grande de agrotóxicos. Tudo isto leva a muitas doenças, que vão sendo tratadas pela moderna medicina. Outro fato importante no aparecimento do câncer é a idade, com a diminuição de um fragmento do DNA chamado telômero e a tendência a mutações acumuladas ao longo do tempo, em diversas células do organismo, expostas a substâncias indutoras de câncer. Como estamos vivendo mais tempo, as células ficam mais expostas a mutações. Houve a época dos poetas que morriam de tuberculose com 25/30/40anos. Hoje, a expectativa de vida do brasileiro é de mais de 70 anos. E ainda o homem vive menos do que a mulher, porque se cuida menos. A saúde do homem é pior do que a da mulher.

MS – Por que o homem se cuida menos?
R – Eu acho que é porque ainda não entrou nos hábitos dele se cuidar. Ele bebe mais, fuma mais, tem mais problemas com a obesidade. É cultural. Não vai ao médico de jeito nenhum, só quando precisa. Já a mulher, vai ao ginecologista, faz a prevenção. Ele costuma ser mais sedentário. O sedentarismo cria uma dificuldade para o organismo lidar com os estresses, porque a pessoa vai sobrecarregando o organismo em nível cardiovascular. Passa a não gastar toda a energia que consome. Hoje, consumimos mais alimentos do que o organismo precisa. Isso é incrível, porque nós temos muitas pessoas que passam fome e tantas pessoas que comem mais do que necessitam.

MS – O que nos leva a comer mais do que precisamos?
R – Além de comer para sobreviver, hoje, há muitos estímulos, excesso de oferta de alimentos. Mas, além disso, está havendo uma confusão entre afeto e comida. As pessoas não têm tempo mais para as outras. Elas não se cultivam mais e, muitas vezes, a comida entra como uma tentativa de substituir o prazer da convivência, o prazer de se sentar calmamente em torno de um fogo e conversar. Tudo se passa em torno da mesa, no almoço e no jantar. Inclusive, engole-se os problemas também. E, acaba se comendo mais. Além disto, a falta de tempo faz com que se consumam mais alimentos industrializados, com grande quantidade de sal e gordura na dieta.

MS – Há um tipo de pessoa com um perfil mais propenso a contrair o câncer?
R – Há uma grande discusssão na humanidade, se o câncer tem origem psicossomática ou não. O que nós sabemos é que ele é causado por múltiplos fatores. Tem uma parte genética, uma parte comportamental, ambiental e há uma outra que é imponderável, porque basta uma célula ter mutações graves e não ser vista pelo sistema do organismo para se tornar uma célula tumoral. Agora, será que isso é tão aleatório assim? É difícil de dizer. Mas, as nossasemoções interferem em nossa área imunológica. A depressão, a raiva, a ansiedade e a angústia atuam nas mesmas vias que o estresse atua. A pessoa aumenta a produção de adrenalina e reduz a de serotonina, que é o hormônio do prazer.

MS – E qual é a conseqüência disso?
R – A produção excessiva de adrenalina pode aumentar a de cortisona pelas glândulas supra-renais e baixar a imunidade do organismo. Alguns estudos psicossomáticos relatam que o tipo de personalidade ou de comportamento do indivíduo pode estar mais relacionado à evolução da doença. Uma coisa que a gente sabe é que quando a pessoa já está doente, aquela que luta vai melhor; abaixo, vem aquela que nega a doença; em seguida, vem a que aceita a doença resignadamente; e, por último, a que vai pior, é aquela que está totalmente desistente, não tem esperanças. O que quero dizer é que, estudos científicos mostram que o comportamento da pessoa frente a doença faz diferença. Uma outra coisa, é a adesão das pessoas aos tratamentos. Quando se tem uma rede de amigos, quando se sente apoiada, quando se relaciona bem com os profissionais de saúde que estão cuidando dela, a pessoa também evolui melhor. Nós somos seres gregários, basicamente. Em todas as culturas as pessoas buscam umas às outras. E esse é um dos elementos mais importantes para se combater uma doença.

MS – É possível uma pessoa se curar, se livrar completamente de um câncer?
R – Todo câncer tem cura, quando é detectado precocemente. Isso é de extrema importância. Quando o câncer é detectado em estágios mais avançados, é preciso ressaltar que o peso dos nossos medos, das nossas angústias, ocupam um espaço muito grande em nossa psique. E muitas vezes minam a capacidade de se ir em frente. É fundamental que a pessoa tenha consciência do problema, que o enfrente adequadamente. Mas, temos que buscar ver mais acima. O ser humano precisa da esperança, senão a gente não levanta da cama nem um dia. Se acharmos que o mundo é péssimo, que não vai melhorar, que está tudo ruim, não vamos querer sair de casa. Isso tudo se aplica no combate à doença, que exige de você o máximo que você pode dar e mais um pouco.

MS – O que se pode fazer de concreto para evitar o câncer?
R – Existe o lugar comum da prevenção. Todo mundo fala: comer várias porções de verdura, saladas e frutas; fazer exercícios, procurar o médico aos primeiros sintomas, fazer Papanicolaou, mamografia, exame de próstata, exame de intestino. Mas, por que as pessoas sabem disso e não fazem? Todo mundo sabe o que não deve fazer: não fumar, não beber, descansar, diminuir o estresse, fazer exercício. Tudo isso é absolutamente verdadeiro. Está estampado em todas as revistas, em todos os lugares.

MS – Por que as pessoas agem assim?
R – Esta é a grande questão. Por que as pessoas não fazem isso? Quais são os pontos cegos que fazem com que uma pessoa não enxergue os sintomas e fique chupando balinha para um câncer de garganta, tomando um xaropinho para um câncer de pulmão. Tomando analgésicos quando tem lesão nos ossos. O que acontece que faz com que a gente tenha uma área cega dentro de nós mesmos, que não percebe os sintomas? O que faz com que o nosso organismo não perceba uma célula doente e não se torne mais sadio? Como é que o organismo perde a auto-regulação? Para se ter saúde, precisa haver um equilíbrio perfeito do organismo em sintonia com o meio ambiente.

MS – A senhora é conhecida pela medicina humanista que pratica. Fale um pouco da maneira como lida com o paciente.
R – O que eu faço numa consulta é tentar achar junto com a pessoa do por quê a vida dela vale a pena, o significado da vida dela, para ela e para aqueles que estão em volta, para o mundo. Isso, para mim, é tão essencial quanto chegar ao diagnóstico e ao tratamento. Geralmente, eu vejo os exames antes de a pessoa entrar e já tenho uma idéia do tratamento que tenho que fazer. Eu coleto as minhas informações mas, em essência, o que quero é conhecer esta pessoa que está na minha frente. Isso é extremamente importante para o tratamento que eu vou oferecer.

MS – É um encontro terapêutico?
R – Exatamente. E esse encontro terapêutico é parte essencial do tratamento. Ele tem um efeito estimulador na psique do paciente, de diminuição dos medos, diminuição das angústias, aumentando a capacidade de enfrentamento. Costumo dizer que os meus pacientes são os meus heróis anônimos, pela coragem de ir em frente; pela coragem de ousar. As chances de o tratamento surtir efeito são individuais, por isso, é muito importante para mim resgatar no indivíduo a vontade de viver. Se eu pudesse passar uma mensagem para as pessoas com mais de 50 anos, e para as com menos de 50 também, é que a vida vale a pena.

MS – A senhora consegue convencê-los de que vale a pena viver?
R – O que digo a eles é que temos que ser muito criativos, porque a vida exige de nós o tempo todo. Ao mesmo tempo, é uma luta prazeirosa, se soubermos olhar a paisagem; se soubermos usufruir dos contactos humanos que vamos tendo ao longo do caminho. Quando eu penso no meu dia, saindo de um hospital e entrando em outro, eu penso também nas pessoas que encontro pelos corredores, os ascensoristas, os porteiros, as atendentes da lanchonete, as copeiras. Todos nós nos olhamos, nos vemos. Eles percebem quando eu não vou, eles me cumprimentam alegremente, ajudam espontaneamente, são nutritivos para um dia conturbado.

MS – Ajudam a tornar a vida mais leve…
R – O que nós precisamos é aprender a olhar, a enxergar. Precisamos ter os olhos da alma muito abertos para conseguirmos olhar além das formas, das aparências e conectarmos com os nossos seres amados de coração para coração. Eu acho que não existe tempo, não existe espaço quando estamos conectados pelo amor. Amor é uma energia que move montanhas, nos estimula a viver, estabelece parcerias com as pessoas que vamos encontrando e que consegue tirar as pessoas de momentos tensos e graves exatamente por essa força transformadora que tem.

MS – A senhora devota a vida a este amor?
R – Sim. Amor à Ciência, ao Ser Humano, ao Conhecimento, à qualidade de vida, à possibilidade de servir, à possibilidade de atuar e modificar os ambientes. Eu acredito muito na união das pessoas. Você junta pessoas que têm capacidades intelectuais maravilhosas você vai conseguir um resultado que é diferente da somatória individual. Também é muito importante estarmos olhando para nós como indivíduos. Quais são as questões que precisamos melhorar dentro de nós para que sejamos seres humanos melhores.

* Extraido do blog 50 + Esta entrevista foi feita no consultório da Dra. Nise Yamaguchi, em São Paulo, em setembro de 2010. Pelo seu importante teor, achei que valia a pena publicá-la novamente. A foto é de Meredith Noll.

Before the Night Ends

before-the-night-ends Em março de 2010, após cirurgia de retirada do tumor, ainda no hospital, tive uma linda experiência que gostaria de compartilha-la. Foi num fim de tarde, poucos dias depois da cirurgia, quando sentia muitas dores, adormeci pelo efeito de analgésicos e acordei com a sensação de ter um tido um lindo sonho. Era uma sensação de leveza, conforto, de estar sem dor, e com meu coração completamente acolhido e tranquilo, como se estivesse num colo. Uma frase vinha a minha mente como uma poesia: “I close my eyes to see the world … I close my eyes  …so that it won’t hurt me”.   Aquela frase soava várias vezes em minha mente, parecia algo conhecido mas não conseguia identifica-la. Mais tarde me lembrei que eram trechos de uma música de Yanni  que eu gosto muito e que não ouvia há muito tempo. “Before the nigth ends.”  Ele compös esta música para sua mãe que já havia partido. Para mim, letra e sentimentos, traduziam a experiência de um colo. Um colo Materno Supremo  de Luz, marcando Sua Sutil e Sustentadora Presença, em um  momento de singular necessidade em minha vida. Achei que talvez vocês também gostariam de ouvi-la. Copiei a letra e tradução da música abaixo, assim como o clip. P.S.: Mandei esta experiencia para o site do Yanni e eles responderam dizendo que Yanni apreciava muito ouvir o  compartilhar daqueles em que  sua música havia sido instrumento de ajuda. Se quiserem assistir ao clip da música, clique abaixo: Before the night ends Antes que a Noite termine (Yanni) I close my eyes   eu fecho meus olhos To see the world  para ver o mundo I close my eyes   eu fecho meus olhos So that it won’t hurt   para que ele não machuque I’m sailing on blue ocean   estou navegando no oceano azul Flying to you how      Voando de alguma forma para Você I catch my breath  O esplendor da lua cheia me tira o ar Under the full moon A star that shines   Uma  estrela se enche de brilho ao encontrar Você So pleased to meet you Maybe I’ll dream forever   talvez eu seja para sempre um sonhador I’d like to love right here por só querer permanecer neste amor aqui e agora  Before the night ends  Antes que a  noite termine And darling the new day dawns e o novo dia amanheça, querida How I hope Como  espero How I hope Como espero That out of this endless blue  que para além desta infindável tristeza Somehow I will find you   de alguma forma , eu possa encontrar Você Before the night ends  Antes que a noite termine Before the night ends  Antes  que a noite termine I’ve made a choice more than a few times  mais do que algumas vezes, eu fiz escolhas walk a road that didn’t end up so right    e andei por caminhos que não eram tão certos But I wanna go the distance  mas tudo isto ficou para traz  I’m going to love right here   e só amor permanece neste instante   Before the night ends    Antes que a noite termine And darling the new day dawns  e antes que o novo dia amanheça, querida How I hope  como  espero How I hope   como  espero That out of this endless blue  que para além deste infindável azul Somehow I will find you   de alguma forma eu encontre Você Before the night ends  Antes que a noite termine Before the night ends  Antes que a noite termine Close my eyes   Fecho os meus olhos Never gonna let it  Nunca vou deixá-Lo Before the night ends  Antes que noite termine I hope I find you    espero encontrar Você

Minha História

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Sempre digo que tive 2 grandes tesouros em minha vida:
conhecimento espiritual e ser enfermeira.

Cada um, a seu modo, são fontes de grande preenchimento e aprendizado.
Dão sentido a vida, nos faz resgatar e desenvolver uma serie de qualidades e qualificações, nos torna um servo do mundo.
É um desafio constante, cheio de estímulos de crescimento, transcendência, desapego e amor.

Muitas vezes pensei, quantas experiências desafiadoras, fortes e importantes já havia tido em minha jornada. O quanto haviam contribuído para meu crescimento. Estava satisfeita com minhas escolhas, mas por outro lado, queria dar um salto, queria experimentar uma auto transformação ainda maior, mais profunda.

O desejo foi ouvido
Da forma ….jamais imaginada…

Um dia parei de ser enfermeira.
Um dia fui colocada a uma prova maior.
Este dia me tornei paciente.
Câncer de Ovário estágio IV.

Foi um choque.
Tive medo, senti tristeza, desânimo.
Passei por fases de não ter vontade de ver ou falar com ninguém.

Ser enfermeira  naquele momento trouxe um outro lado.
De vir a memória a lembrança dos piores casos que ja tinha visto.
E ficar pensando que passaria por eles.

Lembrava também das várias ocasiões em que me sentia desconfortável frente
aos pacientes oncológicos por não saber como me portar, o que dizer…

Fui ajudada, muito ajudada.
A percepção da presença de Deus ficou ainda mais forte.
Os bons votos, meditações, orações, correntes.
Pessoas especiais, amigos, família.
Os médicos queridos compassivos e competentes.
Toda necessidade provida, sempre.
Conforto, carinho.

Me tornei guerreira.
Coragem, força e determinação.
Fazia tudo que me chegava as mãos
no convencional Químio, cirurgia e mais Químio, muita Químio.
No complementar: Alimentação, diversos remédios de outras medicinas, técnicas e terapias naturais, ervas, livros, etc, etc.

Passei do 6º ano de doença,
deixei as quimios e os tratamentos convencionais
Escolhi qualidade de vida e…
sem nem procurar mais nada
um reencontro amigo me levou
a mais um tratamento  – Imunoterapia
acabei me rendendo mais ao amigo do que a  terapia
talvez seja cedo  para dizer aonde me levará
e..sem muitas expectativas
Traduzi como mais um momento  Fenix

Me inspira a Fênix eterna.
É um sempre renascer.
Aceitação, Humildade, Desapego
Meditação, Paz

Agora eu sei como lidar com paciente oncológico
não é muito difícil na verdade.
Compreensão, presença e  amor.
Às vezes, nada precisa ser dito, nem deveria até.
Esperança é a chama para se manter sempre acesa.

A doença traz oportunidade de grande auto transformação.
Traz maturidade.
Traz transcendência.
Torna pequena as coisas grandes.
E grandes as coisas pequenas.

Estou aprendendo a  viver a preciosidade
do momento presente.
Agradecer a fortuna da vida em seus detalhes.
E rir sem motivos.

As falas e pensamentos vão se tornando práticas.
Tenho mais tempo e singular motivação para trabalhar
os recursos internos que elevam  meu espirito.
Estou mais pronta para uma mudança de corpo, de papel.

A doença traz oportunidade de relacionamentos com Deus.
De nos aprofundarmos, nos recarregarmos.
De entregar o que  é difícil
Tomar de Sua Companhia, Suporte, Amor
Praticar ser sem corpo como Ele.
Praticar estar voltando para Ele.
Para o Seu colo.
Estar imersa em seu Amor..

Mantras:
– Deus esta cuidando de mim
– Tudo passa
– Tudo é bom,
– Eu sou uma alma, sou livre
– Alguma coisa boa já começou a acontecer!

Uma das maiores formas de aprendizado:
Doação.
Se dispor, ser instrumento.
Doar a infinidade de tesouros que recebemos.

Tesouros…
Conhecimento e consciência
Tempo e pensamentos.
Bênçãos.

Enfermeira, paciente ou instrumento.
As formas se fundem na essência.

Empenho e fortuna
Se fundem quando
A lição é aprendida.

Aprendizado
Auto transformação
Auto realização
Saltos,
Presentes que dão sentido a vida!

As Sementes de Mostarda

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Uma viúva, chorando, foi visitar Buda. Seu único filho havia morrido. Buda sorriu e lhe disse: – Vá até a cidade e peça sementes de mostarda, mas deve ser em casas onde ninguém tenha perdido nenhum ente querido. A mulher rapidamente foi até a cidade e começou a bater nas portas. Em todas as casas lhe diziam: “Podemos lhe dar quantas sementes quiser, mas a condição não será cumprida, porque muitos parentes morreram nesta casa”. Mas ela não desistia. “Deve haver alguma casa onde a morte não seja conhecida”, pensou. Ao entardecer, exausta de tanto caminhar e bater nas portas, compreendeu que “a morte é parte da vida. Não é pessoal. Não é uma calamidade pessoal que só tenha acontecido comigo”. Com esse entendimento, voltou a Buda. Ele lhe perguntou: – Onde estão as sementes? Ela sorriu e caiu aos seus pés. – Inicie-me. Quero conhecer aquilo que nunca morre. Não peço para recuperar meu filho, porque mesmo que pudesse recuperá-lo, ele morreria novamente. Ensine-me como encontrar dentro de mim mesma isso que nunca morre.

Tocar o Encantado

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* Para Dra. Lucia e Equipe

Na Casa de Vidros
Enquanto a quimio corre como néctar pelas veias
Meus olhos se perdem no jardim a minha frente
Me toca o que eu vejo
Me encanta a sensibilidade de quem inspirou sua criação
e por estes instantes eu o tomo para mim
As nuanças de cores das plantas e flores
suas diferentes formas e tipos
A singularidade de cada uma
como se harmonizam umas com as outras,
o canto dos pássaros
As borboletas …não as vejo…
Certamente estão lá, camufladas,
Extraindo também o néctar das flores que lhes mantém a vida

Na Casa de Vidros, do Jardim de Néctar
um estado de espirito é inspirado
– sensibilidade e apreciação -,
A preciosidade do momento
a beleza de tudo o que me rodeia
o sorriso na face, o brilho nos olhos
a intenção benevolente dos corações …
….O bom dentro do pressuposto ruim…
Faz meu coração se curvar e agradecer
à esta abundância de  encantos
neste momento especial de vida

Na Casa de Vidros, dentro do meu ser
Florescem sentimentos de conforto, bem estar e paz
Neste espaço, processo meus pensamentos,
reflito, refino, contemplo, escrevo
Percebo minhas inquietudes, fragilidades e medos
Me inspiro  na profundidade do aprendizado,
na sutileza dos sinais e detalhes e
ao olhar para trás, me alegro ao ver
as tantas lições que já foram percorridas

Na Casa de Vidros, sob o reflexo da  luz
me lembro de Deus
Em Seu Colo serenizo,
Restauro minhas forças
Ilumino o meu pensar
Me vejo como Ele me vê

Olho para as ultimas gotas do néctar que sustenta a vida
Penso – Será esta a morada da cura?
Por agora, agradeço
Me despeço
Da Casa de Vidro, Rostos  Bondosos, Jardim de Encantos

Para aqueles que criaram este espaço e
fizeram  magia acontecer:
Me encantaria ainda dizer
Faz toda a diferença!!!
Bençãos de luz!!!

Todos os pacientes
Em particular ,os oncológicos
precisam de “toques de encanto ”
para prosseguirem em suas jornadas de cura,
seja ela qual for

..o espírito da borboleta por aqui passou
Acho que quer dizer algo…espera….um sussurro
…” Terias um horário  disponível para mim? “

Hospital do Futuro

Ele será um santuário de paz, esperança e alegria.

Sem correrias, sem ruídos, inteiramente isento de toda aquela parafernália aterrorizante dos aparelhos e instrumentos de hoje, livre de odores de antissépticos e anestésicos, destituído de tudo que sugerir doença e sofrimento. Não haverá tomadas frequentes de temperatura para perturbar o descanso do paciente; nenhum exame diário com estetoscópio ou punções para impressionar a mente do paciente quanto a natureza de sua doença; não haverá tomada de pulsação que surgiram que o coração esteja batendo muito rapidamente. Todas estas coisas impedem a existência da verdadeira atmosfera de paz e tranquilidade tão necessária a rápida recuperação do paciente. Tambem não haverá a necessidade de nenhum laboratório, pois  o exame microscópico de detalhes não mais importará; haverá total compreensão de que é o paciente que deve ser tratado e não a doença.

O objetivo de todas as instituições  será o de ter uma atmosfera de paz, esperança, de alegria e fé. Tudo será feito para encorajar o paciente a esquecer de sua doença, a lutar pela saúde e ao mesmo tempo, corrigir qualquer falha existente em sua natureza, compreendendo a lição que tinha que aprender.

Tudo, no hospital do futuro, será belo e exaltador, de modo que o paciente que buscar esse refúgio não apenas seja aliviado de sua doença, mas também desenvolva o desejo de viver uma vida mais em harmonia  consigo mesmo do que vivia anteriormente.

O hospital do futuro será a mãe do doente; irá tomá-lo em seus braços, irá acalmá-lo e confortá-lo dando-lhe esperança, fé e coragem de sobrepujar suas dificuldades.

O médico do amanhã perceberá que ele, por si mesmo, não tem o poder de curar, mas que, se ele dedicar sua vida ao serviço de seus semelhantes, se estudar a natureza humana, de modo que possa, em parte, compreender seu significado; se desejar de todo o coração aliviar o sofrimento e se entregar totalmente ao auxílio dos doentes, então através dele, talvez seja enviado o conhecimento para guia-los e o poder de aliviar suas dores. E mesmo então seu poder e capacidade de ajudar existirão na mesma proporção da intensidade de seu desejo e boa vontade em servir. Ele compreenderá que a saúde, como a vida, pertencem a  Deus e unicamente a Deus. Que Ele e os remédios que usa são simples instrumentos e agentes do plano divino empregados para trazer o paciente de volta ao caminho da lei divina.

Esse médico não terá mais interesse na patologia ou anatomia mórbida, pois seu estudo será o da saúde. Não lhe importará, por exemplo, se a respiração curta é causada pelo bacilo da tuberculose, o streptococus ou qualquer outro microorganismo. Mas importará enormemente saber porque o paciente sofre de dificuldade respiratória. Não importará saber qual das válvulas do coração está danificada, mas será vital perceber de que modo o paciente está desenvolvendo erroneamente o seu amor. Os raios X não serão mais empregados no exame de uma articulação afetada, mas buscar-se á descobrir qual aspecto mental do paciente sofre de rigidez. O prognóstico da doença não mais dependerá de sinais e sintomas físicos, mas da capacidade do paciente de corrigir suas falhas e harmonizar-se com sua vida espiritual.

A formação do médico será um profundo estudo da natureza humana, uma grande percepção do puro e perfeito, uma compreensão do estado divino do homem e o conhecimento de como assistir aqueles que sofrem, de modo que possam harmonizar sua conduta com seu eu espiritual e possam trazer concórdia e saúde a sua personalidade.

O tratamento do futuro trará essencialmente quatro qualidades ao paciente. Primeiro paz, segundo esperança, terceiro alegria e , em quarto fé.

E todo o ambiente e atenção estarão voltados para este fim, envolvendo o paciente numa atmosfera de luz e saúde, de modo a encorajar a recuperação. Simultaneamente, os erros do paciente, diagnosticados, serão a ele indicados e fornecido ajuda e encorajamento para que possa corrigi-los.

Além disso, esses belos remédios, divinamente enriquecidos com poderes curativos, serão administrados de modo a desobstruir os canais que impedem a passagem da luz da alma, para que o paciente possa ser inundado pela virtude curativa.

A ação desses remédios é elevar nossas vibrações  e abrir  canais para a recepção de nosso eu espiritual, inundando nossas naturezas com aquela virtude que necessitamos para eliminar a falha que está causando desarmonia. Tais remédios, como a mais bela música, ou qualquer coisa gloriosamente exaltadora, podem elevar nossas verdadeiras naturezas, aproximando-nos de nossas almas e através disso, trazer-nos paz.

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Trechos do livro Escritos Médicos, Dr. Bach

O Vento que Sopra pelas Flores

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Há vários anos atrás, em Seattle, Washington, vivia um refugiado tibetano de 52 anos de idade.” Tenzin”, é como vou chama-lo, foi diagnosticado como portador de uma forma de linfoma das mais fáceis de curar. Ele foi internado em um hospital e recebeu a primeira dose de quimioterapia. Mas durante o tratamento, este homem normalmente gentil tornou-se agressivo e irritado; arrancou a agulha intravenosa de seu braço e negou-se a cooperar. Ele então gritou com as enfermeiras e discutiu com todos ao seu redor. Os médicos e enfermeiros ficaram desconcertados.

Depois, a esposa de Tenzin falou com o pessoal do hospital. Ela contou que Tenzin foi um prisioneiro político dos chineses por 17 anos. Eles mataram sua primeira esposa e ele foi repetidamente torturado e brutalizado durante todo o tempo em que esteve preso. As normas e regulamentos do hospital, juntamente com a quimioterapia, fez Tenzin recordar todo o sofrimento que passou nas mãos dos chineses.

“Eu sei que vocês querem ajuda-lo,” ela disse, “mas ele se sente torturado pelo tratamento. Eles fazem com que ele sinta ódio internamente da mesma maneira que os chineses fizeram ele se sentir. Ele prefere morrer do que viver com o ódio que ele está sentindo agora. E, segundo nossas crenças, é mito ruim ter tamanho ódio no coração na hora da morte. Ele precisa estar apto para rezar e limpar seu coração..”

Assim, o médico dispensou Tenzin e recomendou uma equipe da clínica de repouso para visita-lo em casa. Eu era a enfermeira encarregada de cuidar dele. Eu entrei em contato com um representante da Anistia Internacional para pedir-lhe conselhos. Ele me disse que a única forma de sanar o trauma da tortura era .falar a respeito.. .Essa pessoa perdeu sua confiança na humanidade e sente que a esperança é impossível.. Mas quando eu encorajei Tenzin a falar sobre suas experiências, ele ergueu suas mãos e me fez parar. Ele disse,

“Eu preciso aprender a amar de novo se eu quiser curar minha alma. Sua tarefa não é fazer perguntas. Sua tarefa é me ensinar a amar novamente..”
Respirei profundamente e perguntei, “E como eu posso faze-lo amar de novo?”
Tenzin respondeu prontamente, “Sente-se, tome meu chá e coma meus biscoitos..

O chá tibetano é um chá preto forte, coberto com manteiga de iaque e sal. Não é fácil de bebe-lo! Mas, foi o que eu fiz. Por várias semanas, Tenzin, sua mulher e eu nos sentamos juntos e tomamos chá. Nós também conversamos com os médicos para achar formas de tratar suas dores físicas. Mas era sua dor espiritual que deveria ser diminuída. Cada vez que eu chegava, via Tenzin sentado de pernas cruzadas em sua cama, recitando preces de seus livros. Com o passar do tempo, sua mulher foi pendurando mais e mais “thankas”, badeirolas budistas coloridas, nas paredes. Em pouco tempo, o quarto parecia um colorido templo religioso.

Na chegada da primavera, eu perguntei o que os tibetanos faziam quando estavam doentes na primavera. Ele abriu um grande sorriso e disse, “Nós nos sentamos e aspiramos o vento que sopra pelas flores…”

Eu pensei que ele estava falando poéticamente, mas suas suas palavras eram literais. Ele explicou que os tibetanos fazem isso para serem pulverizados com o pólen das novas floradas, carregadas pela brisa. Eles acreditam que esse pólen é um potente medicamento.

No primeiro momento, achar muitas floradas parecia um pouco difícil. Mas, um amigo sugeriu que Tenzin visitasse algumas floriculturas locais. Eu liguei para o gerente de uma floricultura e expliquei-lhe a situação. Sua reação inicial foi “Você quer o que???” Mas quando eu expliquei melhor o meu pedido, ele concordou.

Então, no final-de-semana seguinte, eu busquei Tenzin, sua esposa e suas provisões para a tarde: chá preto, manteiga, sal, chícaras, biscoitos, almofadas e livros de preces. Eu os deixei na floricultura e combinei de pega-los às 17 horas. No outro final-de-semana, visitamos uma outra floricultura. E mais outra no terceiro fim-de-semana.

Na quarta semana, eu comecei a receber convites das floriculturas para Tenzin e sua mulher para voltarem novamente. Um dos gerentes disse, “Nós temos uma nova remessa de nicotianas e lindas fuchsias.ah, sim! E temos belas dafnias. Eu sei que eles vão adorar o perfume das dafnias! E eu quase me esqueci! Temos uns novos bancos de jardim que Tenzin e sua esposa vão adorar!”

No mesmo dia, outra floricultura ligou dizendo que eles tinham recebido birutas coloridas para Tenzin saber de que direção o vento estava soprando. Logo, as floriculturas estavam competindo pelas visitas de Tenzin. As pessoas começaram a se importar com o casal tibetano. Os empregados arrumavam os móveis de frente para o vento. Outros traziam água quente para o chá. Alguns fregueses regulares deixavam seus carrinhos de compras próximos do casal. E no final do verão, Tenzin voltou ao seu médico para novos exames e determinar o desenvolvimento da doença. Mas o doutor não achou nenhuma evidência de câncer. Ele estava abobalhado; disse à Tenzin que ele simplesmente não sabia explicar aquilo.

Tenzin levantou seu dedo e disse,

“Eu sei porque o câncer se foi. Ele não podia mais viver num corpo tão cheio de amor. Quando eu comecei a sentir a compaixão das pessoas da clínica, dos empregados das floriculturas, e todas essas pessoas que queriam saber de mim, eu comecei a mudar por dentro. Agora, eu me sinto afortunado por ter a oportunidade de ser curado dessa forma. Doutor, por favor, não acredite que a sua medicina é a única cura. Às vezes, a compaixão pode também curar um câncer..”

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** Uma História Tibetana De Cura, por Lee Paton

Assento de Lotus

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Quando se está cansado, se quer descanço
Repousar num tipo de assento que traga conforto e paz
Um lugar de silêncio, sem muitas análises ou julgamentos
Apenas ficar quieto, deixar ser
e o natural se restabelecer

O assento de Lótus
Obsevador desapegado
Sem muitas predições de futuro, o intelecto descansa
Sem muitas emoções e reações
O coração descansa
Os sentidos se acalmam
Os desconfortos e dores não me puxam
O mundo, meu corpo, minha vida não precisam disto agora
Estou no meio de tudo e não sou afetado

O assento se transforma num colo
Adormeço nele, me alimento dele
Me faz transcender
Estou num corpo
Vivo uma doença
Não sou nenhum dos dois
Sou a estrela que brilha
No centro da testa
Sou o filho amado
da Luz Suprema e Amor
Repousando na morada das luzes
Que dista um segundo daqui
Respiro paz
Descanso em Deus

Chama ao Vento

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Uma vez, conversando com uma companheira de Jornada, ela fez referência a cena de um filme, em que uma pessoa estava na proa de um navio com seus braços abertos. A sua frente, o céu, o mar, o vento tocavam seu rosto, induziam a sensação de liberdade, de ilimitado. Recentemente, ouvindo “Candle in the Wind” de Elton John, aquela cena retornou a minha mente, me senti como uma chama ao vento na proa de um barco. De um lado a  mão Divina  me protegia do vento, de outro uma chuva de bençãos, na forma de privilégios – da presença  de pessoas tão maravilhosas, percepções inusitadas e a Companhia da Fonte Suprema em minha vida. Esta experiência me fez pensar que mesmo frente aos ventos mais impetuosos que porventura surjam, é possível manter a chama de luz viva, iluminando de sutil beleza, significado e força os passos que compõem nossos caminhos.